O médico ortopedista Célio Eiji Tobisawa, 42, foi preso por estupro em uma clínica de Cuiabá. Ele é acusado de sedar os pacientes durante o procedimento cirúrgico e fazer sexo oral neles. As últimas 3 vítimas identificadas foram atendidas no Hospital Regional de Colíder (650 km ao norte de Cuiabá), onde o profissional prestava serviço. O acusado também molestou um paciente em Cáceres (225 km a oeste de Cuiabá), onde responde a um processo por atentado violento ao pudor.
Segundo o delegado de Colíder, Sérgio Ribeiro Araújo, a vítima que fez a primeira denúncia no município estava anestesiada para fazer infiltrações no joelho. Quando o efeito sedativo estava acabando, o paciente percebeu que era molestado sexualmente pelo médico. Ele não teve forças para reagir e procurou a direção do hospital após se recuperar.
A administradora da unidade, Jucineide Oliveira Silva, disse que ficou impressionada com a denúncia, feita em 25 de junho, e cancelou o contrato com o profissional. Ela também aconselhou a vítima a procurar a delegacia para registrar um boletim de ocorrência.
Depois que o caso foi ao conhecimento público, outros 2 jovens procuraram o delegado para dizer que também foram molestados pelo acusado, que teve a prisão preventiva decretada e está preso no anexo da Penitenciária Central do Estado (PCE), que fica ao lado da Polinter, desde ontem pela manhã. Ele estava atendendo pacientes na clínica dele, no centro da Capital.
Todas as vítimas têm entre 20 e 25 anos. No depoimento à Polícia, o suspeito nega as acusações. Ele afirma que é inocente e diz que as vítimas tiveram alucinações, causadas pela substância sedativa.
Contrato - Tobisawa começou a trabalhar em Colíder em 2005. Entretanto, neste período também atuou em Cáceres, onde em março de 2009 fez uma vítima que teve coragem de procurar o Ministério Público Estadual (MPE) só em outubro do ano passado. A distância entre os 2 municípios é de 875 quilômetros.
Além das 2 cidades do interior, o médico também atendia em Cuiabá.
Seleção - A administradora do Hospital Regional de Colíder disse que o médico participou de uma seleção, onde havia outros 4 candidatos, antes de ser contratado. Ele assumiu a vaga após passar em uma prova e apresentar todos os documentos exigidos pelo edital.
O ortopedista trabalhou 5 anos na instituição sem apresentar nenhum problema.
Jucineide assegura que após ser informada do crime, implantou as medidas punitivas, que resultaram na demissão do profissional. "O hospital não pode ser conivente com a situação".
CRM - O Conselho Regional de Medicina (CRM) vai suspender o direito de Célio Eiji Tobisawa exercer a profissão até amanhã. O presidente Arlan Azevedo explica que o caso terá um processo administrativo para interdição cautelar, porque sem a proibição o profissional coloca a sociedade em risco.
Ele argumenta que o crime é grave e o setor jurídico da entidade já solicitou documentos oficiais para anexar ao procedimento. Azevedo assegura que a suspensão é preventiva e tem validade até que o fato seja esclarecido.