União da sociedade.
O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) está convocando a sociedade brasileira a unir-se contra o que chama de “chaga da corrupção” no país que, segundo alguns, teve 2009 como ponto alto nos registros, especialmente ligados à atividade política.
O presidente da OAB, Ophir Cavalcante, entende que tem que existir um basta em termos de corrupção, com casos que explodem a cada novo dia, numa rotina vergonhosa que está colocando o Brasil entre os primeiros do ranking mundial. Ninguém, de sã consciência, sabe onde vamos parar. “A corrupção é muito forte, é algo que destrói a confiança e faz com que as pessoas desacreditem nas instituições. Ou o Brasil acaba com a corrupção ou a corrupção acaba com o Brasil”, assinalou Ophir.
É muito oportuna a manifestação do primeiro mandatário da Ordem, mas, acreditamos que devem acontecer, com urgência, mudanças na lei, oportunizando ao Judiciário condições de punir os flagrados em atos de corrupção com rigor. O recente caso envolvendo o governador do Distrito Federal e alguns assessores é prova inconteste dessa verdade, pois esse político continua governando e aparecendo nos noticiários de televisão com o mesmo sorriso e tranquilidade, repassando ao povo a sensação da impunidade, e a quase certeza de que somente ladrão de galinhas é condenado. Todo o exemplo que vem de cima, quer seja ele positivo ou negativo, ganha repercussão forte na base.
Há algum tempo, o caso do juiz que foi preso por corrupção na construção de edifício do Judiciário em São Paulo calou fundo no povo, que chegou a acreditar que aquele momento marcava uma nova era para a vida brasileira, mas a decepção voltou a imperar, considerando que dezenas de outros registros envolvendo políticos e gente ligada à vida pública veio à tona, com comprovação de dinheiro desviado de seus verdadeiros objetivos para bolsos de “estranhos”; nomes foram e são apontados como suspeitos de envolvimento direto, pilhas de papéis são empilhadas e, em muitos casos, terminam no arquivo, porque os culpados permanecem camuflados. Ninguém é levado, sequer, a devolver o dinheiro dos contribuintes.
Esses exemplos terminam virando “cascata”, pois também o chamado “peixe miúdo” - sentindo que o “peixe grande” nada sofre - entende que tem direito de participar do “baile” sempre que a oportunidade aparecer, fazendo com que o processo de corrupção ganhe cada vez mais espaço e se transforme em epidemia, sob o crédito de que “quem não aproveita é trouxa”.
Por: Suenir Martins |